Por Susie La Lune
Em que momento o meu eu se perdeu de mim?
Em que lugar foi parar, tão indiferente à minha dor e revolta?
Por onde anda minha capacidade de se chocar com as coisas banais?
Perdi minha sensibilidade diante das agruras que se estendem vida afora, e agora nada mais resta senão viver a vida simplesmente da mesma maneira, cada dia, a semana inteira, sem que nada venha me parecer tão absurdo.
Minha capacidade de pensar horas em horas no pobre menino deitado no papelão foi trocada por minha vontade louca de um café no intervalo matinal do serviço. Ao menino só me resta lamentar sua triste trajetória, mas meu serviço não pode ser deixado pra outrora.
Tranco-me em um cômodo tentando sofrer – de vez em quando sofrer alivia o coração – mas nenhuma lágrima sai dos meus olhos… Acho que de tão cansados de chorar, eles aprenderam a ser imune a solidão.
Só me restam duas alternativas: ou vivo a vida desregrada e desmembrada de quem tudo tem e nada sente, ou me liberto daquilo que me prende e passo a fazer da minha vida algo que me surpreende.




O que falarm sobre nós