19
ago
10

Rotina

Por Susie La Lune

Em que momento o meu eu se perdeu de mim?
Em que lugar foi parar, tão indiferente à minha dor e revolta?
Por onde anda minha capacidade de se chocar com as coisas banais?
Perdi minha sensibilidade diante das agruras que se estendem vida afora, e agora nada mais resta senão viver a vida simplesmente da mesma maneira, cada dia, a semana inteira, sem que nada venha me parecer tão absurdo.
Minha capacidade de pensar horas em horas no pobre menino deitado no papelão foi trocada por minha vontade louca de um café no intervalo matinal do serviço. Ao menino só me resta lamentar sua triste trajetória, mas meu serviço não pode ser deixado pra outrora.
Tranco-me em um cômodo tentando sofrer – de vez em quando sofrer alivia o coração – mas nenhuma lágrima sai dos meus olhos… Acho que de tão cansados de chorar, eles aprenderam a ser imune a solidão.
Só me restam duas alternativas: ou vivo a vida desregrada e desmembrada de quem tudo tem e nada sente, ou me liberto daquilo que me prende e passo a fazer da minha vida algo que me surpreende.

11
jul
10

Se você disser que eu desafino…

                                                                                                       Por Susie La Lune

João Gilberto caminha até o palco onde acontecerá um dos seus raros shows. Seus passos lentos soam como a doce melodia das canções que ele ajudou a criar. No palco senta-se em um banquinho e pega o seu violão. Não é preciso mais que isso.

João Gilberto pede silêncio, afinal com barulho não se pode ouvir o som das ondas que se erguem no mar, nem de um barquinho que desliza na letra da canção. Seu violão não está desafinado. Seus ouvidos não devem ser nenhum pouco antimusical. Se ele desafina é porque na Bossa tudo isso é muito natural.

O público não consegue disfarçar a emoção. Como fantoches, mexem a boca tentando que os sons sussurrados não cheguem aos ouvidos do mestre.

É quando percebo um casal que não consegue ouvir tudo aquilo e se manter indiferente diante da paixão que aquela música evoca. Parece que uma força os envolve e já não os deixa em paz. Nada mais fácil de entender, quando o próprio João Gilberto sentencia: “O nosso amor vai ser assim, eu pra você, você pra mim”.

As mãos do músico dançam pelo violão, seus longos dedos brincam de trocar de cordas e, a cada novo tom, algo de transcedental se dilui no ar. Há quem ache que ele é esquisito com aquele jeitão todo calado. Bobagem! Já dizia o próprio que vaia de bêbado não conta. Neste caso, nem crítica de quem não consegue viver sonhando, sonhando mil horas sem fim.

Nada se pode exigir dele. Mas se ele puder fazer só mais um favor, eu pediria sem pestanejar: João nunca pense em nos deixar, se é por falta de adeus, saiba que este adeus não vou te dar.

01
mar
10

Sentimento imperfeito

Por Susie la Lune

Ando sentindo-me ausente de mim mesmo nestes últimos tempos. É como se dentro de mim existisse apenas o vazio de alguém que se vê perdido em meio ao mais calmo oceano. Eu, como todo e qualquer ser humano, sou extremamente inconstante. Quando esse silêncio mortal toma conta de minha vida espero que rapidamente algo venha e balance com meu mundo. Mas quando tudo está na mais completa confusão, rezo incessantemente para ficar, ao menos por um minuto, na mais perfeita tranqüilidade.

E então, como a mais infantil das almas, eu corro para o refugio seguro e escuro de meu quarto. Às vezes me sinto como um passarinho que não sabe ao certo para que lado está seu ninho, mas voa de um lado para outro sem saber aonde o destino irá o levar. Sei do que gosto e o que quero, mas não sei como faço pra chegar lá. São tantos caminhos e atalhos que eu não sei bem qual rumo devo tomar. Minha calma aparente desaparece conforme os dias passam e já não consigo esconder a ansiedade de que algo (ou alguém) novo venha para me retirar da calmaria da leve brisa e me levar direto para um redemoinho de emoções e sensações. Mas quando será?

18
dez
09

Morrer de amor

Por Lana Bank

Em meio aquelas pessoas que a olhavam com desprezo os soluços de sua mãe, que chorava em desespero…mas Sophia não havia se arrependido, como ter medo da morte se restava ali apenas seu corpo, pois seu coração havia sido arrancado e enterrado junto a seu amado. Em uma lágrima de imensa dor, as lembranças.

E Sophia desesperadamente corria por entre os corredores que cortavam os salões onde tantas pessoas sorriam e dançavam apaixonadamente. Onde estaria ele? Já com o destino traçado, Sophia sabia que esse seria seu ultimo momento, o ultimo instante que teriam juntos.

No meio do caminho, um porão escuro com a porta entreaberta. Sophia entra devagar, coração acelerado, respiração ofegante. Mesmo sem vê-lo, sente as mãos de Silas a guiando, sua respiração em seu ouvido. Seus corpos, seus braços se entrelaçam, e se entregam naturalmente ao amor que de cortês passou a ser amor para a vida inteira, que mesmo sem o milagre da vida, estaria vivo pela eternidade.

Por que querer tão bem alguém podia ser tão proibido? Quando estavam juntos parecia que o mundo parava, e o céu os abençoava. Mas por que tanta provação?

Subitamente Sophia é arrancada daquele momento.Eles já chegaram!!! E com um ultimo olhar se amaram loucamente…

Sophia novamente se via ali, na frente de todos, ouvindo os soluços de sua mãe…com aquela corda em seu pescoço, os segundos pareciam horas…em meio a uma oração, sua morte seria um momento de tristeza, se segundos antes Sophia não houvesse sentido o movimento de um filho em seu ventre.

19
nov
09

Entender estrelas

Espero calada diante da janela do meu quarto.

A noite parece mais escura do que o comum.

Nas ruas os carros passam desesperadamente  sem nem se importar com as pessoas que caminham nas calçadas. Eu me importo. Observo cada uma delas e imagino o que trazem escondidas por trás de suas faces ingênuas.

Olho para o céu. A lua imensa e branca divide espaço com várias estrelas. Certa vez li, não sei aonde, que estrelas, apesar de cintilantes, são sempre inúteis. Não penso assim.

Elas me parecem mostrar o caminho para algo que transcende este espaço, direto ao infinito. Gosto desta palavra. Infinito… É algo tão misterioso,  por horas e horas conseguiria ficar pensando no que ela pode significar.

Mas como estava dizendo… As estrelas são muito mais complexas do que pontos a brilhar no céu. E ao dizer isso recordo do primeiro poema que eu li. Claro que foi Via Láctea do Olavo Bilac. Meus olhos se enchiam de água ao ler aquele homem dizendo conversar com as estrelas. Imagine o que elas não deveriam dizer a ele? Elas, que sem nos darmos conta ficam a nos vigiar por toda noite.

Tentei conversar com uma delas. Escolhi no céu a mais brilhante. passei a conta-la tudo aquilo que me afligia a alma. Todos os meus medos e inquietudes. Mas nada pude ouvir. Nem um sussurro, suspiro ou gemido. Nada.

Recorri ao poema de Bilac e entendi o porque de não ouvir o que ela me gritava. Dizia ele em dois versos:

“Amai para entendê-las, pois só quem ama tem ouvido capaz de ouvir e entender estrelas”

Como diria Saint Exupery, naquele tempo, eu era jovem demais para amar.

18
nov
09

Viver por mim

Por Lana Bank


Novamente fecho meus olhos, deitada em minha cama sinto a brisa fresca que pela janela do meu quarto invade minha alma.

Mesmo deitada continuo caminhando. Caminhando através das horas, dos minutos, que me conduzem a um futuro tão próximo, porém tão desconhecido que chega a assustar. Me assusta também saber para onde meus próprios pés gostariam de me levar.

Mesmo sem saber o que me espera, não sinto medo de continuar. Faço as coisas do meu jeito, ouço sempre meu coração, e quero que a razão fique sempre longe de mim…ela nos limita. Na história de nossa vida, onde somos protagonistas, ela faz nos sentir figurantes, dando total liberdade para que as pessoas ao redor sejam juntamente os diretores.

Não é assim que gosto de viver…Vivo um dia de cada vez…sigo apenas o que sinto…e se meu coração pede para agir ou esperar eu o obedeço, pois a cada dia que passa tenho a constante certeza de que fui plenamente “eu”.

E se eu errar…não vai importar…pois tenho a eternidade para consertar!!!

16
nov
09

Desconhecidamente: apresento-lhes eu!

Por Susie la Lune

Se as verdades que surgem por trás da minha face fossem de fato a realidade, não saberia dizer quem sou.

Não sou certeza, nada sei do meu eu. Vivo em um emaranhado de dúvidas que ora me alimentam, ora me machucam a alma.

Vomito contradições. São tantas que não consigo manter todas dentro de mim. Elas saem pela minha boca como borboletas transitantes que se confundem no caminho ao infinito e acabam por voltar.

Pouco posso dizer sobre o que sinto. A cada dia amor e ódio brigam pelo terreno do meu coração. A cada dia ambos são vencedores. A cada dia ambos são vencidos.

Juro que já tentei me entender, mas meus pensamentos me levam ao longe mostrando o que não sou. Do que deveria ser, em conclusão nenhuma consigo chegar

Materialmente sou uma idéia de algo que de tão absoluto chego a duvidar se pode se contradizer. Ou será que olhando para frente benxergo no passadosomente aquilo que não vivi, mas que de tão real passou a existir?

Minhas vontades fazem do percalço da minha sina uma projeção de irrealizações que me tomam pela mão e me levam rumo a consciência de que nada pude fazer. Em compensação coisam me acontecem como surpresas de um mágico que muito eu quero conhecer.

16
nov
09

Um dia em sua vida

*Baseado na canção One day in your life

 

Com o passar dos tempos você se lembrará de um lugar, de um alguém que delicadamente sua face gostava de tocar.

Então você deseperadamente vai querer voltar, mas aí já não haverá mais ninguém a te esperar. Olhará ao seu redor com os olhos embargados de lágrimas, perceberá que a solidão já invadiu todo o seu ser e então você…

Em determinado momento de sua vida você vai acabar percebendo que tinha um amor, um amor que você encontrava em tardes de verão, quando o sol caía sobre o horizonte.

Recordará que havia alguém que soprava versos em seus ouvidos, que te abraçava, mesmo tendo medo que você esvaísse como areia em suas mãos. Você vai acabar lembrando de mim.

Eu sei que há muito tempo eu sumi de sua vida, e que na verdade, tudo que juntos construímos deu lugar a um imenso vazio que cisma em nos perseguir. Eu também sei que você se libertou da minha imagem e que talvez não precise mais tanto de mim agora, mas não adianta o que você venha fazer, de algum modo eu vou continuar em seu coração.

Talvez um dia as coisas não se mostrem tão bem para você. Tentará fugir, sua agonia transbordará em seu peito e as lágrimas rolaram em seus olhos e então quando você não aguentar mais… Você vai lembrar de um dia.

Quando acordar em determinada manhã, ao ligar o rádio e ouvir sua música preferida, acabará notando que tinha um amor. E que ele foi a coisa maisbonita que já aconteceu em sua vida.

E a melodia entrará em seus ouvidos te transportando para um lugar,quando subitamente você vai chamar meu nome… E eu estarei lá…

Mas daí você abrirá os olhos e perceberá que sempre esteve sozinha…

 

16
nov
09

Hello world!

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